Imunodeficiência

Imunodeficiência

A que ponto chegamos, que indecência,
Que nossa língua portuguesa está passando,
É uma tal de “sofrência”, que coincidência não?
Uma transformação sem consciência,

O gerúndio foi participado,
Já não sei pra que esse é usado,
Vamos “estar formando” a nova língua então,
De provérbios, gírias e cultura não.

Se até a Presidente se tornou Presidenta,
O que faremos dessa nação?
Digam sim, ou digam não, ah que sofridão,
Que maledicência, que solidão.

Que saudades eu tenho, da minha pátria querida,
Não esta que agora vejo, mas daqui está ferida,
Coxa de língua, muda das pernas,
Deveríamos diante disso voltarmos pras cavernas,

A mesma caverna platônica,
Que a nação já não deixa atônita,
Sem rumo, sem prumo, sem decência,
Sem uma língua, sem mais prudência,

E essa tal de “seduzência”, que agora,
Até música se tornou, de verdade, lá fora,
Na letra da infeliz música que assola,
Diz no refrão: “que homem não chora”.

Perdi minha língua, minha razão,
Deixei de ter um símbolo de nação,
Ainda sou brasileiro?
Ou me identifico como baderneiro?

Aquele que busca no panelaço e aos gritos,
A solução pra quem votou um não,
Não à “favorecência” dessa miséria,
Que assola o país e nos deixa aflitos

Não podemos mais reagir, senão seremos torturados,
Psíquica e socialmente, quando não sermos marcados,
Pela imprudência, pela decência, pela “sofrência”,
De ser Brasileiro por pura maledicência.

                                                        (A.M.O. – 26/04/2015)


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