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Mostrando postagens de setembro, 2017

Há um buraco na parede,

Há um buraco na parede, Há um buraco na parede, não é um buraco simples, qualquer, é um espaço aberto numa rede, que enlaça um corpo de mulher, Há um buraco na parede, mas não transpassa nada, sequer o ar, não imerge água e não transgride a dor, o amor, as ondas do mar, a rede. Há um buraco na parede, e por ele vejo o mundo do outro lado, vejo a vida, vejo tudo esquisito, estranho. Quase nada, um instinto malfadado. Há um buraco na parede, e o cinza, o opaco, o escuro me iludem, não há cores neste fio, nesta rede, nada, não vejo mais, e todas as coisas me confundem Há um buraco na parede, e agora sinto passar o vento, não sinto nada mais que sede, não sinto fome e nem alento. Há um buraco na parede, e por ele não vejo a razão de tanta dor e sofrimento neste mar de solidão. Há um buraco na parede, Nada mais agora me alcança, o olhar, o peso do meu corpo, minhas forças, me cansa(m). Há um buraco na parede,...

À Diva Alexandra,

À Diva Alexandra, Eu? Eu sou aquela que dorme no escuro, sou aquela que de coragem sobrevive, sou a mesma que você ignora obscuro, Fui, sou e sempre serei a que te exige, Renasço a cada dia, a cada instante, renovo minhas forças na suma existência, se tombada, me ergo, sempre obstante, levanto de minhas cinzas por sobrevivência, grito, choro, lamento e murmuro, olho por mim, daqui de cima do muro, não sou fria, não gélida, sou mulher bela e angélica, quem não me conhece, não me entende, quem não me ouve, não me compreende, sou tomada de forças e delas faço razão, razão pra viver, pra sorrir num mundo cão, São dessas forças, que me retiro das cinzas, que me renovo, me inspiro e me calço, ao me pôr em pé, e me ponho, descalço, é por que já me tornei mais do que finjas, não sou aquela que julgas conhecer, não sou aquela que viu ao amanhecer, sou a outra, a indomada, como Ártemis, que das cinzas ressurge, altiva como a f...

O lápis do poeta

O lápis do poeta by André Maciel de Oliveira Do espocar no poeta o pensamento Da ideia que vem e lhe incomoda, O artista se torna poeta no momento, Ou apenas se senta, ignora e se acomoda. Nas sombras do grafite no papel, Nas inúmeras borras da borracha, Entre incontáveis buscas pelo fiel, Gradativamente o poeta se acha, Numa busca incessante pela arte, Discussões e indagações que ele se faz Explora, transfigura e geme à parte Para que a arte jamais aqui jaz Entre dedos e dúvidas do artista, A arte vem se tornando profissão Para que nada pareça pouco farsista Ele se desdobra e caleja a(s) mão(s) Entretanto a poesia não lhe convém E ele absurdamente se corrói, Se cobra, se exime, mas não se detém Pois sabe que a falta desta mata e destrói A ausência desta arte destrói Mutila, acaba e a cultura desintegra Deste povo, e por isso e isto lhe condói Pois à ignorância ele se integra. Que cada verso aqui manus...