O lápis do poeta


O lápis do poeta

by André Maciel de Oliveira

Do espocar no poeta o pensamento
Da ideia que vem e lhe incomoda,
O artista se torna poeta no momento,
Ou apenas se senta, ignora e se acomoda.

Nas sombras do grafite no papel,
Nas inúmeras borras da borracha,
Entre incontáveis buscas pelo fiel,
Gradativamente o poeta se acha,

Numa busca incessante pela arte,
Discussões e indagações que ele se faz
Explora, transfigura e geme à parte
Para que a arte jamais aqui jaz

Entre dedos e dúvidas do artista,
A arte vem se tornando profissão
Para que nada pareça pouco farsista
Ele se desdobra e caleja a(s) mão(s)

Entretanto a poesia não lhe convém
E ele absurdamente se corrói,
Se cobra, se exime, mas não se detém
Pois sabe que a falta desta mata e destrói

A ausência desta arte destrói
Mutila, acaba e a cultura desintegra
Deste povo, e por isso e isto lhe condói
Pois à ignorância ele se integra.

Que cada verso aqui manuscrito,
Que muito fora pensado pelo artista
Possa ir mais, ir além do que lhe é dito,
Alcançando o mundo, além de nossa vista

Ser aclamado, louvado, lido e aplaudido
Possa cumprir sua arte, mais que função
Se fundir aos ouvidos surdos e ser ouvido
Ser propagado até chegar ao coração.

Do leitor que ora ouve e não lê
Do leitor que ignora e não sabe
A importância desta arte a você
Que tem do mundo às mãos a chave

Para voar, refletir, viajar e sonhar
Entretanto se abriga sombrio na ignorância,
De crer que o mundo vai além mar,
Se guardando da arte na pura insignificância

Por isto grito, gemo, esbravejo e conclamo,
Declinemos para a arte um novo olhar,
Afinal, é o artista e a arte que ora chamo
Para sonhar, sorrir e de novamente amar.

A arte, o outro, a poesia imaculada,
O atuar, o texto, o pensar e o refletir
Como um cálice, um manto sagrado,
Que reverenciamos todo respeito ao agir.

Viva a arte, o poeta e a poesia.









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