CARTA DE UM SUICÍDIO!



 “Hoje desafoguei um pouco de mim, analisei meus passos, ponderei minhas decisões, escolhas e percebi o quanto fui alvo de observações desnecessárias e infundadas. A vida tem muito a me ensinar e eu mais ainda a aprender. Primeiramente, nunca confie totalmente na mão que lhe acalenta, ela é a mesma que balança o berço e te empurra do despenhadeiro. Estou começando a explodir por dentro, rasgar as vísceras, romper a placenta na qual estive alojado. Quero fugir deste útero que me aprisiona, quero berrar ao ver a luz, quero apontar o dedo médio pros idiotas e dizer eu sou mais eu! Que eu valho mais que o que rotulam. Quero sentir-me novamente. Quero sair desse lodo que me infiltraram, desse mar de escuridão que estão me afundando. Minhas forças resgatarei, pois sou mais forte, tenho palavras de ordem e ação. A partir de hoje decreto o suicídio deste inerte ser que me assombra. Dessa imagem nefasta do passado que me perturba, me tira o sono, ceifando meus sonhos, encharcando-me de desilusão e descrenças em mim mesmo e em meu potencial. A partir de hoje terei ao meu lado e ao meu redor apenas quem me ilumine, me preencha de paz, seguridade, amor, confiança, tranquilidade e positividade. Irei buscar a luz da qual me afastei, os sonhos que adormeci em minha ideia “toda azul”, das realizações que me recusei a pôr em prática, por covardia, por descrer que seria capaz disto. A partir de hoje, serei mais livre de minhas palavras, de meus pensamentos e de minha ações. Não quero mais ter medo de olhar pra trás e me assombrar com o que fui ou fiz. Quero de fato nascer de mim mesmo, do útero que me protegia da vida e hoje me assombra. Estou rompendo barreiras, destruindo muralhas e avançando mares nunca dantes navegados, dentro de mim e em busca do meu eu. Não me impeçam, não me atraquem em portos não navegáveis, não me segurem porque de hoje em diante o céu para mim será o limite.” (A.M.O. – 13/07/2015)

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