Um homem que chega
“O whisky já
estava no copo, gelando com a água do gelo que derretia. Um sentimento tomou
conta dele, era algo estranho que nunca havia sentido antes. Sabia o que era
mas, tinha muito medo de assumir que aquela possibilidade poderia se
concretizar. O crooner cantava Jorge
Vercilo como se estivesse lendo nossa estória. Na cabeça atormentada de Carlos,
os pensamentos se misturavam às lembranças e à letra da canção: “Nós já temos encontro marcado/ Eu só não sei quando/ Se daqui a dois dias/ Se daqui a mil anos/
Com dois canos pra mim apontados/ Ousaria te olhar, ousaria te ver/ Num
insuspeitável bar, pra decência não nos ver/ Perigoso é te amar, doloroso
querer/ Somos homens pra saber o que é melhor pra nós/ O desejo a nos punir, só
porque somos iguais...” O compositor certamente conhecia a história dos dois. O whisky esquentou,
agora era cowboy. Mas o que não sai
de suas lembranças mesmo eram todos os momentos às escondidas que estiveram
juntos. Era um sentimento, assim como uma relação proibida. Seus pensamentos
tomaram outro rumo quando a porta do bar se abriu e ele entrou, porém não
estava só. Quem era aquele que o acompanhava? E o crooner continuava “...E você, o que fará se esse orgulho nos
perder?/ No clarão do luar, espero/ Cá nos braços do mar me entrego...” “Esperar,
como na canção ele iria mais uma vez esperar...” (A.M.O. – 20/02/2016) excerto
de conto em construção.
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