O ciúme
"A direção do carro seguia sozinha diante dos pensamentos esvaído de Abel. Não consegui entender, e dentro de si aceitar como aquele sentimento que parecia tão intenso e gigante do outro por ele, pudesse ter se acabado do dia para a noite, sem mesmo que rle tivesse tido a oportunidade de gozar daquele prazer, a companhia e o amor de José. Não conseguia perceber o quanto se acovardara ao se afastar, ao ignorar o sentido de tamanho sentimento expresso pelo outro e que ele, dentro de seus limites pessoais, não correspondera. Emílio Santiago cantava O Ciúme, no som do carro. E a palavras da composição levavam aquele barbado homem ao desespero. Havia perdido a oportunidade de talvez ser feliz, como há tanto tempo não era. As ondas haviam quebrado no mar e os ventos haviam levado para longe de si a prima chance que há tanto esperara. ...o ciúme lançou sua flecha preta... e se viu ferido justo na garganta... quem nem alegre, nem triste e nem poeta... entre Petrolina e Juazeiro... o carro seguia e as lágrimas desciam..." (A.M.O - 31/08/2016) Excerto de narrativa em construção.
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