O VELEIRO EM ALTO MAR: MEU PAI.
O VELEIRO EM
ALTO MAR: MEU PAI.
André Maciel de Oliveira
(profandre.literatura@gmail.com)
Há minutos atrás os pensamentos começaram
a invadir minha mente e insultarem-me em busca de que exprimisse imediatamente uma
mensagem que meu coração pudesse ditar; que viesse de minh’alma, o mais intenso
desejo de ser pai, que um ser humano possa sentir independentemente de qualquer
empecilho que venham lhe impor. Então me rendi e busquei dentro de meu coração
o que mais me remetia a memória de ser PAI; ser o homem valoroso, de ser a
identidade a ser observada por um outro ser que respeita e se espelha nesta
figura o seu futuro navegar nesta vida.
Assim, olhei para o espelho que sempre
me identifiquei, mesmo nas horas que mais me recusasse, mas, a natureza me apresentava
esta imagem, o da figura mais intensa e pura de amor que escolhi para chamar de
pai: MEU PAI. Diante disto, então, comecei a refletir em tudo que vivi e que um
dia viverei também: a intensidade de ter e ser pai. E em minhas reflexões percebi
que, meu pai não era o nosso porto seguro quando crianças; ele era e ainda é
sim, a embarcação, o veleiro que nos trazia até nossa mãe, nosso porto seguro.
Meu pai era e é aquele brilho nos olhos, as faiscantes pedras azuis cor do mar
que inebriam e invadem a todos com sua sinergia, sua imensidade de amor e afeto
gratuitos. Meu pai é aquele sorriso espontâneo, amigo e farto. A gargalhada que
preenche o espaço vazio que a tristeza insiste em se instalar. Meu pai, assim
como outros tantos, mas falo do meu, - do companheiro de dor, de pensamentos
comuns, de momentos que apenas o olhar falava por nós, àquele que o abraço fala
mais que as palavras. Que o beijo e a bênção dados são confortantes - é a
embarcação na qual navego há anos, sem pestanejar, sem medo que a maré suba e
que nosso veleiro naufrague. É esse tipo de pai, de homem, de indivíduo que
espero um dia ser aos meus filhos, aos que recebi da união com meu companheiro e
dos que nosso coração ansiosamente espera. Que os meninos possam um dia sentir
o mesmo que sinto por meu pai, minha embarcação mais resistente e veloz em alto
mar.
Hoje, décadas depois e milhares de
pensamentos inesperados surgidos, me tomo pelas lembranças de que foi ele quem
me amparou quando tomei meus primeiros tombos nas investidas no equilíbrio da
bicicleta ou no volante do automóvel. Sim, foi ele quem me ouviu quando mais me
tomava apreensivo nas decisões mais insensatas, quando o mundo me virava às
costas, quando minúsculo me sentia diante do mundo; era nele que embarcava e abrigado
me sentia seguro nesta viagem que a vida me propôs fazer. Foi em seu abraço que
há vinte e quatro anos debaixo de uma curitibana garoa fina, comemoramos meu
aniversário e também meu ingresso na vida profissional. Foi em seu abraço
também que me acolhi quando tudo parecia perdido e decisões precisavam ser
tomadas. Pai eu espero que um dia, um dia apenas, eu possa ser o mínino aos
meus filhos, do que o senhor foi e tem sido a mim e aos meus três irmãos. Que
meus filhos possam ver e ouvir deste lindo e bonachão avô, tudo que ouvi e
senti: a alegria, o amor, as estórias contadas e as descontraídas anedotas que
juntos ríamos fartamente em reuniões familiares. Hoje percebo que família é a
reunião de todos esses instantes permitidos em agraciados momentos que levamos
em nossas lembranças e em nossos corações. Nesta hora em que inclino meus olhos
em devoção, peço apenas e unicamente que me seja permitido ser o pai que ampara
sem cobranças, que ama sem condições, que se doa sem esperar receber, como meu
pai foi e é para mim. Que eu e meu companheiro possamos ser pais realmente
valorosos, espelhos de respeito, bondade e caráter devotos de amor e imensos
cuidados. Que os filhos que nossa união nos deu e os que Deus está nos
reservando, sejam agraciados de bênçãos paternas. Que a mesma graça que encheu
meu coração quando pela primeira vez fui chamado de pai, se mantenha dentro de
nossos peitos como a chama que jamais se apaga. Que Deus nos dê graça e
sabedoria para sermos aos nossos filhos os exemplos que tivemos de nossos pais
e mães, avós e tios, padrinhos e madrinhas que muitas vezes exerceram o papel
de veleiro em nossos cruzeiros marítimos. Que toda a bendição seja dada àqueles
e àquelas que exercem o papel de pai numa família, independente de seu gênero,
sua sexualidade ou seu grau de parentesco ou não, com àqueles que graças damos
por reconhecermos como filhos.
Que os meus, os nossos, os teus, os seus
e os deles possam um dia carregar dentro da alma esse intenso sentimento da
escolha de ser PAI de seres humanos frágeis ou não, mas, que dependem de seu
olhar, de sua bênção, do seu mais intenso e encantado afeto paterno, o amor de
pai.
Ao meu pai João, meu companheiro
Alexandre, meus filhos desta união Bruno e Gustavo e aos que Deus nos permitirá;
e a todos que desta mensagem se apropriar desejamos toda a felicidade neste
momento: FELIZ DIA DOS PAIS.
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