Há um buraco na parede,
Há
um buraco na parede,
Há
um buraco na parede,
não
é um buraco simples, qualquer,
é
um espaço aberto numa rede,
que
enlaça um corpo de mulher,
Há
um buraco na parede,
mas
não transpassa nada, sequer o ar,
não
imerge água e não transgride a dor,
o
amor, as ondas do mar, a rede.
Há
um buraco na parede,
e
por ele vejo o mundo do outro lado,
vejo
a vida, vejo tudo esquisito, estranho.
Quase
nada, um instinto malfadado.
Há
um buraco na parede,
e
o cinza, o opaco, o escuro me iludem,
não
há cores neste fio, nesta rede, nada,
não
vejo mais, e todas as coisas me confundem
Há
um buraco na parede,
e
agora sinto passar o vento,
não
sinto nada mais que sede,
não
sinto fome e nem alento.
Há
um buraco na parede,
e
por ele não vejo a razão
de
tanta dor e sofrimento
neste
mar de solidão.
Há
um buraco na parede,
Nada
mais agora me alcança,
o
olhar, o peso do meu corpo,
minhas
forças, me cansa(m).
Há
um buraco na parede,
e
a cada vez fica menor,
diminuto
aos meus olhos,
perto,
longe ao meu redor,
Este
buraco é na parede e não na rede,
E
reafirmo que há, porque há,
Se
encontra bem ali, na parede
E
agora sei porque lá está.
Há
um buraco na parede,
bem
perto daquela grande tela,
numa
parede opaca e amarela,
e
faz de mim também parede...
num
misto de eu em mim.
Neste
buraco me instalei.
À
margem desta parede,
neste
buraco que me formei,
Há
um buraco na parede,
e
neste peito condoído,
nesta
rede de sentido(s)
neste
peito mal, ora destruído.
Este
buraco, nesta parede,
já
faz parte de mim mesmo,
minha
essência, minhas ideias
entrelaçadas
numa rede,
Este
buraco no meu peito,
nada
mais é que minha visão,
e
não passa desta imensa dor
que
trago em meu coração.
Agora
não vejo mais o buraco na parede,
pois
os anos me encontraram,
E
nesta cavalgada intensa,
sozinhos
eles não chegaram,
A
solidão, as dores e a rigidez,
junto
com eles também vieram,
falta
de sangue, amor e palidez
Num
emaranhado, juntos se fizeram.
Pelo
buraco na parede,
não
vejo mais meus planos,
não
sinto mais esperanças,
nada
de verdade, apenas enganos.
Pelo
espaço do buraco,
vejo
o imenso e opaco,
não
tenho mais dimensão,
não
tenho dor, nem solidão.
Pelo
buraco da parede,
a
vida vai se alongando,
as
cãs surgindo em rede,
e
o tempo se esgotando.
Quando
olho para o buraco,
e
não sinto mais o opaco,
não
sinto mais o medo, a dor,
não
sinto nada,sequer calor.
Me
pego então olhando,
para
o buraco da parede,
me
observo maturando,
neste
emaranhado de rede.
Agora
chega, agora basta,
chega
de olhar para este buraco
na
parede, na rede, na vida,
dentro
de mim e que não passa...
Que
este espaço monocular,
tenha
me transformado,
mudado
meu ser, meu olhar,
tenha
me enlevado.
À
cima, a um plano superior,
ao
meu eu, a minha identidade,
sem
mais dúvidas, sem mais dor,
sem
caos, sem iniquidade.
Só
assim então poderei de fato,
olhar
para aquela parede,
e
ver que nunca houve rede,
não
houve luz, nada, nem opaco...
Não
houve nada além do olhar,
numa
parede amarelada pelo tempo,
e
que levou minhas ideias ao vento
transgredindo
as palavras no ar,
As
levando e fazendo as voar
por
causa de um insignificante
buraco
que por um instante,
tive
a impressão de olhar.
Havia
um buraco naquela parede...
A.M.O.,
21/06/2017.
Este poema que surgiu de uma observação na parede de minha sala de trabalho, foi inscrito num concurso nacional porém não foi classificado. Infelizmente não viram poesia aonde expressava um turbilhão se sentimentos. Cada leitor e avaliador tem seu ponto de vista.
ResponderExcluir